Capítulo um
Minha lembrança mais antiga é de quando eu tinha sete anos,
um dia nublado, garoa fina, muitos familiares por perto, não recordo dos seus
rostos... Somente o rosto de dor do meu pai enquanto assistia o caixão descer.
Sempre me perguntam como é viver só com meu pai, e essa é
sempre a minha resposta.
Quando eu tinha 10 anos, meu pai decidiu que lhe dar com sua
filha virando “mocinha” era de mais para ele sozinho.
Enquanto ele estava falando isso, eu só pensava que ele ia
se casar, sei lá, colocar uma mulher em casa.
-Lydia querida, você sabe que não
levo muito jeito com essas peculiaridades da juventude que você esta vivendo
neste momento, quero o melhor pra você, sempre. Tomei uma decisão importante
para nós. Quero que você mantenha a mente aberta e encare essa nova fase da
melhor maneira possível.
Pegando documentos e uns folhetos dentro de uma pasta ele
continua
- Te matriculei num convento.
Meu deus, convento?Foi
isso mesmo que eu escutei?
-Pai, eu não sei o que dizer
pensar, sei lá... Eu posso lidar com isso sozinha sabe as peculiaridades...
E assim começa minha vida...
Claro que hoje aos 15 anos, essa conversa embaraçosa é
apenas uma lembrança. a vida no convento não é tão ruim quanto pode parecer.
Exceto é claro pela TPM de 100 garotas temperamentais num mesmo local.
Divido o quarto com a Ravena, ela tem 17 anos e esta aqui
desde os cinco, conhece as regras e o lugar perfeitamente. me ensinou
praticamente tudo por aqui, o que eu precisava e o que eu não precisava também.
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